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DANÇA DE SALÃO: TRADIÇÃO E MODERNIDADE NA CENA CONTEMPORÂNEAAPRESENTAÇÃO Em agosto de 2004 o Programa de Iniciação e Profissionalização Artística em Dança/Companhia de Dança Contemporânea da UFRJ foi reativado. Os projetos desenvolvidos pela Cia de Dança receberam 25 bolsas de iniciação artística e cultural. Nesse momento iniciamos o projeto “Me divirto dançando: uma etnografia dos espaços populares de dança da cidade do Rio de Janeiro” com a participação de dois professores, quatro bolsistas de iniciação artística e cultural e uma bolsista de iniciação científica/CNPq. O campo da dança na cidade do Rio de Janeiro tem se ampliado a partir dos cursos de formação, mas apesar dos espaços populares de dança de salão serem muito procurados, existem poucas investigações sobre essa manifestação popular. Nosso interesse se deu a partir de experiências nesses espaços de lazer na medida em que percebemos que diferentes perfis de indivíduos buscam esses espaços como forma de lazer. Consideramos assim os espaços de dança como uma “mancha”, isto é, um local mais amplo do que o “pedaço” (onde as relações entre os membros são mais homogêneas, normatizadas, assemelhando-se mais a uma comunidade). Na “mancha” cruzam-se indivíduos de “pedaços” diferentes, que realizam “trajetos” diversos e freqüentam “circuitos” múltiplos. É importante identificar, então, como os “pedaços”, “trajetos” e “circuitos” estão presentes de forma complexa na “mancha” dos espaços de dança. Procuramos então construir uma descrição densa dos espaços, valorizando: a pespectiva qualitativa-fenomenológica, que orienta ser impossível entender o comportamento humano sem estudar o quadro referencial e o universo simbólico dentro dos quais os sujeitos interpretam seus pensamentos, sentimentos e ações (Macedo, 2000, p.145). Assim, o trabalho de campo torna-se uma tarefa que requer mais tempo para que seja possível a aproximação com objetos que não são familiares, sendo um projeto que demanda sempre retomadas e redimensionamentos, ainda mais em espaço tão múltiplo e peculiar. Como bem define Macedo: O trabalho de campo implica numa confrontação pessoal com o desconhecido, o confuso, o obscuro, o contraditório, o assincronismo. Ademais, além dos sustos com o inusitado sempre em devir, o campo tem uma resistência natural que demanda uma dose de paciência considerável face, por exemplo, às rupturas com ritmos próprios do pesquisador ou determinados prazos acadêmicos (p.146). Segundo Magnani, esta primeira fase deve ser marcada pelo que chama de “caminhada”: uma atitude de deslocamento lento e atento às características e peculiaridades do espaço. Essa observação deverá culminar em uma tentativa de classificação, fundamental como referência para a fase seguinte. Na segunda fase, tendo em vista o coletado anteriormente, estabelecem-se estratégias de observação mais sistemática, olhares específicos ao que mais chamou a atenção, e realizam-se entrevistas para aprofundar as observações. Assim, acreditando que é no campo da cultura que podem se estabelecer novos valores, entendemos que há necessidade emergente de canais de mediação universidade-arte-sociedade, seja através de intervenções diretas ou através de pesquisas teóricas e artísticas. Nesse sentido, investigamos esses espaços populares percebendo a dança como importante foco de produção de sentido e significado para seus atores sociais, com o objetivo de ampliar a compreensão de que a experiência estética tem exercido um papel essencial na construção e transformação da identidade cultural do cidadão carioca. OBJETIVO Analisar códigos, símbolos e lógicas de organização de espaços populares de dança de salão da cidade do Rio de Janeiro, bem como os sentidos e significados que permeiam a prática dos atores sociais freqüentadores a partir de dados coletados por pesquisa etnográfica.
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